FRONTEIRA TRANSNACIONAL EM GUIMARÃES ROSA

 

 Marli Fantini Scarpelli – UFMG

 

 

Marcada pelo caráter disjuntivo e liminar, a zona fronteiriça é um topos assinalado pela hibridez lingüística e pela plasticidade cultural. Em face do crescente fenômeno do migração neste final de século, a travessia de fronteira se transforma em uma imagem cultural apta a ser apropriada pela literatura, conforme observa Edward Said: “Atravessar a fronteira, e passar pelas típicas privações e entusiasmos da migração, tornaram-se um tema importante na arte da era pós-colonial”[1].

Homi Bhabha privilegia a intersticialidade da fronteira enquanto espaço alternativo de encontro à margem das nações. Topos diatópico onde, na meia-luz das línguas estrangeiras, ou na estranha fluência da língua do outro, se reúnem povos diaspóricos — “exilados, émigrés, refugiados”, a fronteira da modernidade, enquanto espaço de fluxo e de intercâmbio lingüístico-cultural, desterritorializa a demarcação imposta por critérios hegemônicos, instituindo nova forma de habitar e, como conseqüência, formas não-convencionais de relações identitárias. Nessas formas peregrinas de convívio entre povos, Bhabha reconhece a emergência de “um fato histórico singular”, para cujo registro ele considera inadequada a metodologia adotada pela historiografia tradicional. O universo poético-metafórico de narrativas fundacionais contemporâneas aponta, segundo ele, para uma “outra dimensão do habitar no mundo social”[2]. A maciça diáspora política e econômica do mundo moderno exigiria, no seu entendimento, a redefinição dos conceitos de “culturas nacionais homogêneas, a transmissão consensual ou contígua de tradições históricas ou comunidades étnicas «orgânicas» — enquanto base do comparativismo cultural[3].

Sensível à fluidez e à pluralidade das identidades culturais, Boaventura Santos reconhece, na zona fronteiriça, o lugar babélico onde “os contatos se pulverizam e se ordenam segundo micro-hierarquias pouco suceptíveis de globalização”, o que oferece, segundo ele, a oportunidade de identificação e de criação cultural, ambas maleáveis e, portanto, subvertíveis:

 

Mesmo as identidades aparentemente mais sólidas, como as de mulher, homem, país africano, país latino-americano ou país europeu, escondem negociações de sentido, jogos de polissemia, choques de temporalidades em constante processo de transformação, responsáveis em última instância pela sucessão de configurações hermenêuticas que de época para época dão corpo e vida a tais identidades. Identidades são, pois, identificações em curso[4].

 

As trocas simbólicas, os entrecruzamentos múltiplos, a transculturação, as totalidades contraditórias, a heterogeneidade cultural são alguns conceitos que emergem das fronteiras disciplinárias hoje abrangidas pelos estudos comparatistas, os quais, com vistas a suplementar a perspectiva histórico-literária tradicional, põem em relevo, em suas fronteiras disciplinares, um leque cada vez mais diversificado de opções crítico-teóricas. Os estudos culturais e os estudos pós-coloniais são novas alternativas metodológicas a contribuir para a compreensão de literaturas alternativas e periféricas como as produzidas no continente latino-americano, cuja produção discursiva vem-se construindo, desde o confronto iniciado pela política colonizadora, no lugar híbrido entre a língua da metrópole e a da colônia, entre a escritura e a oralidade.

Esses sistemas, utilizados no entre-lugar confrontante da dupla prática de assimilação e resistência ao modelo peninsular, geram dinâmicas interculturais e literárias que, segundo Cornejo Polar, possibilitam a convivência histórico-espacial entre sistemas distintos, cujo resultado, não obstante a preservação de uma certa autonomia de cada um dos sistemas de origem, aponta para uma “totalidade contraditória”. Polar sugere a adoção do conceito “literatura alternativa”, acreditando que ele possa enriquecer a discussão acerca das produções discursivas no continente e enfatizar “a significação dos níveis de multilingüismo, de diglosia e, — o que talvez seja mais decisivo — o rechaço/assimilação de oralidade e escritura” [5]. Em lugar de homogeneizar as diferenças conflitivas dos sistemas culturais heterogêneos, Cornejo Polar lança o desafio de assumir essa conflitividade, propondo fazer da contradição o “objeto de nossa disciplina (o que) pode ser a tarefa mais urgente do pensamento crítico latino-americano”[6].

 

 

 

Migração discursiva em Guimarães Rosa

 

A questão da fronteira é recorrente na vida e na obra de João Guimarães Rosa. A viagem por muitas geografias, o convívio com diversas culturas, o domínio de vários idiomas são indubitáveis fatores a intervir no enfoque fronteiriço privilegiado na obra ficcional desse escritor. A produção literária de Guimarães Rosa — sertanejo, escritor, diplomata — procede da tradição oral e a alimenta, segundo seu próprio depoimento.

 

(...) nós, os homens do sertão, somos fabulistas por natureza. Está no nosso sangue narrar estórias; já no berço recebemos esse dom para toda a vida. Desde pequenos, estamos constantemente escutando as narrativas multicoloridas dos velhos, os contos e lendas, e também nos criamos em um mundo que às vezes pode se assemelhar a uma lenda cruel. Deste modo, a gente se habitua, e narra estórias que correm por nossas veias e penetram em nosso corpo, em nossa alma, porque o sertão é a alma dos homens. (...) Eu trazia sempre os ouvidos atentos, escutava tudo o que podia e comecei a transformar em lenda o ambiente que me rodeava, porque este, em sua essência, era e continua sendo uma lenda.[7]

 

Viajante contumaz, Rosa desdobra seu trânsito por muitas culturas para incorporá-lo à tradição oral assimilada em sua infância. Da itinerância entre culturas e mundos diversos, decorre o deslocamento de perspectiva, permeabilizado pela mirada “deslocada” desse intelectual que procede — ao reassumir o próprio domínio lingüístico — como um tradutor da língua materna. Exemplo dessa permeabilidade pode ser reconhecido em Grande sertão: veredas[8], romance em que a dureza geofísica do “sertão” perde o peso da referencialidade, para expressar uma realidade ambígua e heterogênea: “sertão” é onde “tudo é e não é” (GSV, 11); “Sertão é quando menos se espera” (GSV, 267); “Sertão é dentro da gente” (GSV, 289); “o sertão é uma espera enorme” (GSV, 538). Se a multiplicidade do cosmos pode caber no sertão, a singularidade do sertão também pode difundir-se no cosmos: “Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniões... O sertão está em toda parte” (GSV, 8).

Em 1963, o crítico uruguaio Emir Rodrigues Monegal (que, anos depois, viria a tornar-se um importante biógrafo de Jorge Luis Borges) visita Guimarães Rosa, no Rio de Janeiro, quando este já ocupa o cargo de Chefe do Serviço de Fronteiras no Itamarati. Durante a entrevista, Guimarães Rosa explica minuciosamente como constrói sua poética, o seu modo de intencionar a forma, a inserção de vários idiomas no Português, a exploração deliberada de contradições etc., o que leva Monegal a perceber a conjunção entre o escritor e o diplomata: “Enquanto o escutava falar com precisão e sem pressa, pensei que esta tarefa devia ser também um serviço de demarcação de fronteiras[9].

 

Grande sertão: fronteiras

 

Ancorado no ideal de funcionalidade, o modelo emblemático da modernização do Brasil — concretizado na construção de Brasília — faz, na ficção de Rosa, interface com a paisagem arcaica do sertão, de onde emerge um Brasil estranho aos mapas convencionais. Nesse cenário, paradigmas como centralidade e, universalidade se esfacelam, fazendo circular, em espaços fragmentários, uma geografia em constante dispersão, onde se inicia uma outra história, uma terceira margem da história a abrigar o periférico, o arrabalde, os subúrbios do Brasil oficial. A forma conflitiva como essa questão é representada em Grande sertão: veredas desafia o Planalto Central a incluir, nas dobras da Capital Federal, uma cartografia periférica e imprevista. O cenário (já interiorizado e fronteiriço) do romance abriga os “fundos fundos” do sertão, uma geografia inteiramente ignorada dos mapas e da vida das cidades. A partir do confronto entre Riobaldo, narrador-protagonista do romance, e os catrumanos — seres ctônicos, habitantes de locas e brenhas —, retorna uma história colonial recalcada, impondo o contraste entre distintas temporalidades, culturas e formações discursivas. A ubiqüidade temporal representada nesta cena evidencia os riscos implicados no autoritário projeto de modernização brasileira: “aos milhares mis e cento milhentos, [os catrumanos] vinham se desentocando e formando no brenhal, enchiam os caminhos todos, tomavam conta das cidades” (GSV, 364).

Na cartografia rosiana, trata-se de um universo rural tensionado com a cidade, numa espécie de marcha labiríntica do mundo rústico e incivilizado do sertão rumo ao mundo civilizado. Mas marcha e contramarcha, sentido de mão dupla, cujo percurso vai estabelecendo, não a supremacia, mas o diálogo entre campo e cidade, logos e mythos, local e universal. O novo é, nesse cenário, um modelo em curso, uma interface que resiste à síntese. Territórios e legendas são reversíveis e intercambiáveis: não se trata de recusa da modernidade, ou da apologia da rusticidade. Uma e outra se matizam retramando o lugar comum. Uma vez a caminho, os limites e fronteiras são postos em circulação.

 

Poética do desdobramento

 

Escrever, em Guimarães Rosa, significa reescrever e atualizar a história, bem como retraçar os domínios territoriais que a comportam. Natureza e cultura, significado e significante, referente e sua ambigüização imbricam-se, superpõem-se, enredando-se na impenetrável dureza das palavras. Regido pela recursividade, o mapa das paisagens rosianas aceita os múltiplos rearranjos que o fazem ampliar-se em direções movediças, pois ele “é aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, susceptível de receber modificações constantemente. Ele pode ser rasgado, revertido, adaptar-se a montagens de qualquer natureza, ser preparado por um indivíduo, um grupo, uma formação social”[10]. Um permeável tecido de transformações, em que se cruzam temporalidades distintas, espacialidades móveis, fronteiras disjuntivas e liminares, de cujo interior pode sempre emergir uma “terceira margem” — uma das imagens mais emblemáticas da poética de Rosa.

Este é um modelo exemplar para o crescimento morfológico da paisagem rosiana, de cujas dobras desdobram-se, imprevistos, abruptos florescimentos de natureza e cultura. Os elementos nascentes invadem espaços, deslizando, ramificando-se pela superfície como erva crescendo depois de chuva, em analogia vegetal com a imagem da estrutura rizomática referida por Deleuze: “A erva existe exclusivamente entre os grandes espaços não cultivados. Ela preenche os vazios. Ela cresce entre e no meio de outras coisas”[11].

Em Grande sertão: veredas, uma desvairada máquina de tecer faz irromper, “de qualquer pano do mato”, uma ininterrupta tecedura. Maquinação de redes elásticas e permeáveis rompem o espaço de sorte que cada forma nova se reinvente sempre em conexão com outras formas. Operando não por gênese, mas por heterogênese, esse agenciamento maquínico institui uma fulgurante e sinestésica brotação orgânica, fazendo explodir e propagar-se cheiros, brilhos e tonalidades que se difundem e se entremesclam na matéria verbal. Na interface entre o orgânico e o verbo, a sensualidade, a exuberância, numa desmedida cujo resultado é a visibilidade que apenas a estética pode apreender e descrever.

 

Aí foi em fevereiro ou janeiro, no tempo do pendão do milho. Tresmente: que com o capitão-do-campo de prateadas pontas, viçoso no cerrado; o anis enfeitando suas moitas; e com florzinhas as dejaniras. Aquele capim marmelada é muito restível, redobra logo na brotação, tão verde-mar, filho do menor chuvisco. De qualquer pano do mato, de de-entre cada encostar de duas folhas, saíam em giro as todas as cores de borboletas. Como não se viu, aqui se vê. Porque, nos gerais, a mesma raça de borboletas, que em outras partes é trivial regular — cá cresce, vira muito maior, e com mais brilho, se sabe; acho que é do seco do ar, do limpo, desta luz enorme. (GSV, 26).

 

 

Do grotesco ao hermenêutico

 

Outro fenômeno recorrente na poética de Rosa — a duplicação de vias, materializada no deslizamento entre diferentes culturas e modos distintos de olhar — preside, em Grande sertão: veredas, ao percurso de mão dupla que sustenta o entrecruzamento de visadas, por definição excludentes. O mesmo abalo que as “estórias” de possessão demoníaca causam, por exemplo, na “racionalidade” do interlocutor culto de Riobaldo será também causado neste em sua relação com os catrumanos. No entanto, para que isso ocorra, institui-se um jogo de mediações, realizado a partir de diferentes escutas e pontos de vista. A realidade histórica dos “catrumanos” — viver o século XVIII habitando o século XX — é, por um lado, um anacronismo “risível” para Riobaldo.

Por outro lado, o que é natural para Riobaldo revela-se estranho à cultura do pesquisador culto, que anota, em suas cadernetas de campo, as crendices e os exotismos “anacrônicos” do ex-jagunço. Que ri “certas risadas” quando ouve dele a “estória” do “bezerro erroso”. Este, do ponto de vista mitopoético do narrador, é a encarnação do diabo; prova portanto irrefutável de sua existência sensível. No entanto, da ótica epistemológica do pesquisador-etnólogo, o bezerro erroso não encarna outra coisa senão a própria deformidade genética. Tem-se, assim, uma cadeia a estabelecer distintos graus de leitura de mundo, que vão da mirada mais grotesca à mais hermenêutica.

O “grotesco” — do italiano “grotta”, “gruta” — designa, no romance, proto-homens, habitantes de grotas ou grutas, como aqueles catrumanos que, orelhudos, farejadores, apresentam-se mais reificados que os próprios jagunços. Se estes constituem a “massa de manobra” dos grandes chefes da oligarquia rural, não passando de “garrotes demarcados” (GSV, 398), aqueles vivem nos brenhais, completamente destituídos de humanidade e cultura, “menos arredados dos bichos do que nós estamos” (GSV, 362). Habitantes desse universo em lenta transformação, surgem ainda aqueles jagunços a devorar um homem que tomam por símio. Embora possa parecer que essa violação dos interditos culturais seja direta e meramente proporcional à transgressora e truculenta desordem jagunça, o gesto antropofágico assinala ainda a metáfora da devoração cultural proposta por Oswald de Andrade, reafirmando os vários graus de hibridez cultural a comportar a heterogeneidade do universo representado no romance.

No outro extremo da escala escópica e escatológica, está a visada hermenêutica, assinalada pelo olhar etnológico do pesquisador que, através do relato de Riobaldo, registra o ingresso do sertão numa modernidade que, mal assimilada, deixa entrever suas conseqüências danosas no processo de gradativa perda da tradição cultural sertaneja, já em vias de desaparecimento:

 

Mas, o senhor sério tenciona devassar a raso este mar de territórios, para sortimento de conferir o que existe? Tem seus motivos. Agora — digo por mim — o senhor vem, veio tarde. Tempos foram, os costumes demudaram. Quase que, de legítimo leal, pouco sobra, nem não sobra mais nada. Os bandos bons de valentões repartiram seu fim; muito que foi jagunço por aí pena, pede esmola. Mesmo os vaqueiros duvidam de vir no comércio vestidos de roupa inteira de couro, acham que o traje de gibão é feio e capiau. (GSV, 24).

 

Situar-se entre duas águas, viver e assumir o deslocamento, assimilar a contrapelo a herança de uma identidade forjada a partir de um trauma propicia o aparecimento de “uma singular imagem: a do indivíduo narrador e/ou etnólogo — em todo caso estudioso e intérprete da heterogeneidade cultural: o transculturador” categoria criada por Fernando Ortiz e desenvolvida por Ángel Rama, a partir de modelos de “transculturação narrativa”, de escritores latino-americanos como José Maria Arguedas, Juan Rulfo e Guimarães Rosa.[12] Lugar instituído no entre-lugar, cuja geografia “deve ser uma geografia de assimilação e de agressividade, de aprendizagem e de reação, de falsa obediência”[13], conforme sugestão de Silviano Santiago, a “terceira margem” é a poderosa imagem de um locus de enunciação situado na confluência de várias temporalidades e discursos culturais. Marcada pela hibridez e pela heterogeneidade conflitiva, a formação discursiva do romance Grande sertão: veredas, ao adotar o paradigma da plasticidade cultural, recusa a homogeneização de valores e situa o Brasil no âmbito cultural latino-americano. Circulando entre distintas águas, esse romance problematiza a pluralidade de temporalidades e culturas que conformam a formação deste continente híbrido e multifacetado, desmontando a noção pacífica de totalidade.

Ocupando a terceira margem que medeia os dois pontos eqüidistantes em grau e valor, Riobaldo, encarnação ambígua de jagunço e letrado, procede como um transculturador que, ao ocupar esse espaço sempre fronteiriço, pode deslizar de um para outro pólo. E ajustar seu foco para abranger e relativizar perspectivas antagônicas. As fronteiras abertas por Riobaldo são as terceiras margens onde, com a desierarquização dos absolutos, vigoram a heterogeneidade, a mescla cultural, lingüística e territorial.

Carreando em seu percurso toda a sociedade que representa, Riobaldo é o avatar de uma comunidade residual de colonizados que, banida de seu próprio território, está condenada à marginalidade e ao desterro. Que vivendo à margem de quaisquer instituições, mostra a cara perversa e desumana do Brasil. Se a língua é a arma com que Rosa defende a dignidade do homem brasileiro e, sobretudo, a do homem sertanejo — oriundo, como ele mesmo, do degradado quintal terceiromundista — ela é também o tiro certeiro com que o jagunço Riobaldo defende, no campo de batalha travada do Grande sertão: veredas, a própria dignidade e a de toda uma cultura arcaica prestes a desaparecer sob o impacto da modernização.

Ao ampliar os processos de intercâmbio entre várias línguas, temporalidades, conhecimentos e formas culturais produzidos no âmbito regional, nacional e continental, a literatura de Guimarães Rosa faz emergir uma nova forma de habitar o mundo e novos estatutos de trocas culturais.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila et al. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. V.1. Trad. Aurélio G. Neto e Célia P. Costa. Rio Janeiro: Editora 34, 1995. 5 vol.

MONEGAL, Emir Rodrigues. Em busca de Guimarães Rosa. In: COUTINHO, Afrânio (Dir.). Guimarães Rosa. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 1991.

POLAR, Antonio Cornejo. Mestizaje, transculturación, heterogeneidad. MAZOTTI, José Antonio et al (Org.). Asedios a la heterogeneidad cultural: libro de homenaje a Antonio Cornejo Polar. Philadelphia: Asociación Internacional de peruanistas, 1996. P. 54-56

RAMA, Ángel. Tranculturación narrativa en América Latina. Montevideo: Arca Editorial, 1989.

ROSA, João Guimarães. Diálogo com Guimarães Rosa. João Guimarães Rosa: Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

SAID, Edward W. Cultura e imperialismo. Trad. Denise Bottman. São Paulo: Companhia das letras, 1995.

SANTIAGO, Silviano. “O entre-lugar do discurso latino-americano”. Uma literatura nos trópicos. São Paulo: Perspectiva, 1978, p. 17-9.

SANTOS, Boaventura de Sousa. “Modernidade, identidade e cultura de fronteira”. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez Editora, 1995.

SPITA, Silvia. “Traición y transculturación: los desgarramientos del pensaminto latinoamericano”. In: MORAÑA, Mabel (Ed.). Ángel Rama y los estudios latinoamericanos. Pittsburg: Serie Críticas, 1997.



[1] SAID, Edward W., 1995, p. 379.

[2] BHABHA, Homi K., 1998, p. 36.

[3] BHABHA, Homi K. Idem, p. 24.

[4] SANTOS, Boaventura de Sousa, 1995, p. 135.

[5] POLAR, Antonio Cornejo, 1996, p. 56.

[6] POLAR, Antonio Cornejo. Ibid.

[7] ROSA, João Guimarães, 1994, p. 33-4.

[8] ROSA, João Guimarães, 1984. Doravante, este romance será citado mediante a sigla de GSV, no corpo do texto.

[9] MONEGAL, Emir Rodrigues, 1991, p. 49.

[10] DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix,1995, p. 22.

[11] DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Idem, p. 30.

[12] SPITA, Silvia, 1997, p. 174.

[13] SANTIAGO, Silviano, 1978, p. 17-9.